A Colega de Quarto


Tópico em 'Fanfics & Fanworks' criado por AArK em 02/04/2013, 15:08.
4 respostas neste tópico
 #1
A Colega de Quarto

Segunda-feira, meio dia. Eu comia uma gororoba feita por mim mesma, enquanto tomava uma lata de cerveja. Um dia cansativo, eu tive, na faculdade. E agora estava lá... Comendo aquilo. Mas não havia problemas a mais, exceto o meu problemão financeiro (que seria ainda pior se eu realmente soubesse cozinhar direito), considerando que eu compro miojos, cup noodles, refrigerantes e hambúrgueres. E isso tudo tornava as coisas um "pouco" mais fáceis. Mas quando eu já não estava conseguindo pagar a gasolina do meu carro, minhas contas de internet banda-larga e meu curso de alemão, as coisas ficaram piores... Não tinha jeito. Ou eu arrumava um trabalho (e de meio-período seria quase impossível de achar), ou eu entrava (mais ainda) na pindaíba. Portanto, pedi ajuda pra minha "guia"... Sim, minha mãe. Liguei pra ela depois de comer.

- Mãe...? - Eu disse, coçando a cabeça de ansiedade.

- Oi, Kátia. Que houve?

- Nossa... Como vai, você também?

- Desculpe. É que estou no trabalho.

- É esse... Esse é meu problema. Eu estou dura. Será que não dá pra você...?

- Eu já te ajudei a pagar muitas coisas, Ka. Eu não tenho mais dinheiro. Não está na hora de arrumar um trabalhinho, não?

- Não tem como, mamãe. Eu tenho o curso e a faculdade, como vou dar conta de tudo isso?

- Então... Tenho uma idéia pra você.

- Diga... Por favor.

- Arrume uma colega de quarto.

- Uma o quê!? Eu não! Eu não quero mesmo ter de dividir MINHAS COISAS com outra pessoa... Seria o fim.

- Deixa disso... Vai ser bom pra você. "Novos ares". Sem contar que se você o fizer, vai ter quem te ajude a manter a casa, e isso te dará um dinheiro extra pra suas bobagens.

- Ô, mãe! Não são bobagens... - Peguei outra cerveja na geladeira.

- Certo. Pense então. Beijos.

E desligou. É... Acho que minha "guia" tá meio perdida, assim como eu. Colega de quarto, eh...? No que será que isso dá?

- - -

- Não é uma má idéia... - Disse Renata, andando com tanta pressa quanto eu. Nossa aula ia começar em questão de minutos, e ainda tínhamos que subir uma p... escadaria. Me cansava todos os malditos dias.

- O que...!? Tá doida... Ainda não consigo engolir isso.

- Então mastigue! - Piscou pra mim. E entramos na sala.

Eu estava na sala de aula, mastigando a informação. Mas era informação demais pra minha mente... Eu havia comprado (Digo, meu pai, meu pai) aquele apartamento para morar tranqüila lá. Porque, tipo, eu nunca consegui ter uma vida em paz morando com os meus pais. Paz e pais são palavras parecidas, mas totalmente opostas. Sem contar que lá fico perto da faculdade, e tenho privacidade. Eu posso ficar numa boa, fazer festinhas, comer porcarias (sim, é pura escolha própria), beber quantas cervejas eu quiser, tenho tranqüilidade para estudar e... Um quarto extra pra colocar COISAS! Sim, por isso mesmo que eu acho que seria uma grande perda arrumar uma colega de quarto, mas... Tá fogo agora. Eu definitivamente não tenho tempo e nem cacife pra trabalhar. Eu poderia fazer um mísero estágio, mas... Não, agora não, obrigada. Talvez eu deva... Dar apenas uma testada, pra ver como seria ter uma colega de quarto.

- - -

Numa boate, a noite, no centro. Eu e Renata traçávamos meu plano de ataque. Sentadas no barzinho, tomando umas batidas doidas e tudo o mais. Ela fumava um daqueles cigarros mentolados com sabor de cereja, e estava usando um perfume interessante. Naquela noite ela já tinha saído com um carinha, mas eu preferi ficar esperando ela voltar pra podermos conversar, enquanto eu tomava alguma coisa adocicada e com vodca. Ouvindo uma música semi-rock e semi-eletrônica.

- Vai colocar um anúncio no jornal. É o mais fácil. Coloca um nessa região, tipo... Universitária. Às vezes, uma menina que mora longe e tem dificuldade de acesso aceite.

- É uma ótima idéia... - Disse, com um guardanapo riscado à mão e a caneta na boca, sendo mordida.

- "Alugo quarto num apartamento, próximo a Universidade para estudante do sexo feminino". - Disse ela, fazendo as aspas com as mãos.

- É... - Eu disse, coçando o queixo e abanando a fumaça do cigarro.

- - -

Seis horas da manhã. A merda era que... A minha aula era mais tarde esse dia, umas dez horas da manhã apenas. E por isso... A campainha me deixou revoltada, ao me acordar. Saco, saco, saco, saco...

- Oi!? - Perguntei, com rudeza. E era uma garota. Uma garota um tanto... Diferente.

Cabelos curtos, lisos, coloridos com mechas estranhas... Vermelhas e pretas. Ele era loiro, mas manchado. Ela usava um piercing no nariz, uma pequena argolinha prateada. Usava uma blusa que terminava no meio de sua barriga. E tinha uma tatuagem que saía de "dentro" de sua calça em sua cintura. Uma calça jeans xadrez, terminando em um par de adidas pretos com listras brancas. Ela deu um sorriso bobo quando me viu e eu fiquei alguns segundos (minutos) parada, apenas observando-a.

- Oi? - Ela disse, me acordando do transe.

- Ah! Sim! Que foi?

- Eu vim por causa do anúncio. Posso... Dar uma olhada? - Ela disse. Usava um perfume estranho... Acho que era masculino.

- Claro.

Deixei ela entrar, e fui buscar algo pra ela beber.

- Quer algo? Água, suco, cerveja...?

- Uma cerveja, por favor. - Ela disse, era das minhas (\o/).

Olhou o quarto "das coisas", que agora estava vazio. Metade daquilo que eu guardava foi pro lixo, a outra metade pra casa da minha mãe.

*Flashback*

- V-v-você não pode deixar isso tudo aqui, filha! - A caminhonete parada na frente da casa dela, e homens de cinza levavam caixas e mais caixas de papelão pra dentro.

- Sim, eu posso. Não tem espaço lá no apartamento. E é como você mesma disse, preciso alugar o quarto, né? - Dei um sorrisinho vitorioso, ela se contrariou com a própria chatice. Carregava nos braços uma das caixas que tive o prazer de lhe entregar. - Isso é frágil, cuidado.

Mas tenho certeza que ela fez questão de quebrar, por isso, menti. A caixa frágil era outra.

*Fim do Flashback*

Ela sentou no sofázinho da sala, que era um sofá-cama, e eu sentei na poltrona adjacente. Ela bebericava a cerva, enquanto suspirava. Pensava e repensava, provavelmente na casa. Continuei analisando... Ela tinha aqueles ossinhos... "Saboneteiras" bonitas. E suas unhas estavam pintadas de preto... Mas o esmalte estava "corroído". Ela abriu um sorriso sem jeito quando me viu "analisando-a". E eu fiquei sem jeito também. Ela analisava a casa, e eu, ela.

- Eu gostei do espaço. - Ela enfim disse, com uma voz doce que contrastava com sua aparência diferente. - E a localização do lugar também é muito boa.

- Ahn...

- Fica perto dos prédios de artes. - Ela disse, fazia artes. - E... Você parece ser bem legal também.

- Ahn... - Fiquei meio transtornada. Eu acho que corei. Uma droga isso... Ela soltou uma gargalhada gostosa.

- Esqueci. - Ela disse, me estendendo a mão para ser apertada. - Aline.

- Ah... S-sim. Kátia. - Eu disse, meio confusa ainda.

Apertar sua mão suada e quente. Era como se ela disfarçasse bem o nervosismo.

- - -

- Mas ela parece ser a pessoa perfeita, Ka! - Renata disse, no meio de uma aula de cálculo. - Faz artes, cujo prédio fica próximo. Simpatizou fácil com você. Gosta até mesmo de beber cervejas. E ela disse que ajudaria em todas as contas do lugar em dia, porque tinha um trampo de meio período (coisa que você deveria ter), então está perfeito. Por que não vai aceitá-la?

- Porque não. - Eu disse, e beberiquei um chopp moreno.

- Você é doida, sabia? Eu não te entendo... - Comeu uma torradinha de alho. - Eu sei que você é egoísta e as pessoas não podem nem TOCAR nas suas coisas. Mas quando você vai entender que isso é uma EMERGÊNCIA!?

- Não é por isso... - Eu disse, e me encolhi em meu próprio casulo.

- Então o que é? - Renata pareceu surpresa agora.

- Ela é esquisita. Ela usa roupas largadas, tem piercings, tatuagens, mechas coloridas no cabelo...

- Ela só parece ser uma "doida". Mas quase todos que fazem arte são assim. Lembra dos "moicanos"!? - Ela disse, fazendo um "gesto" para imitar o cabelo cortado no topo da cabeça.

- Lembro. - Suspirei. - Mas ela me tratou "estranho", eu não sei... Não curto a presença dela. E sentir isso todos os dias pode ser angustiante.

- Deixa de bobagem! Você tá pondo chifre na cabeça do cavalo! - Me deu um tapinha no ombro.

- Porque não é um cavalo, é um unicórnio, Rê...

- Hm...? - Ela não entendeu minha "metáfora".

- - -

*TRIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!*

*TRIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!*

*TRIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!*

- Alô? - Ouvi a voz do outro lado.

- Oi... Er... - Estava tremendo, POR QUÊ!? Era ridículo. Ela fazia me sentir estranha.

- Ah, oi! - Reconheceu minha voz. - Kátia, né? - E lembrou meu nome.

- Ahn... É. Aline, né? - Também.

- Sim. - Senti seu sorriso pelo telefone, e novamente um friozinho percorreu minha espinha. Saco.

- O quarto é seu.

- Sério!? - Disse, toda empolgada. Tirou um peso das costas. E eu coloquei um.

- Sim.

- Então, essa semana ainda estou indo praí, pode ser? - Pode?

- Tá.

- Ok! Valeu mesmo! - E íamos ficar nuns bons minutos de silêncio, quando... - Desculpa, tenho que desligar, Kátia. Eu tenho uma aula agora, ok? Brigada de novo. Beijos.

- B... Tchau. - Eu disse, com um maldito frio percorrendo minha barriga. MERDA, MERDA, MERDA, MERDA...

"Beijos".

- - -

Estava dançando. Isso aí. Era um p... feriadão, e eu estava completamente esquecida que aquele era o dia. Liguei o rádio no último volume (meus vizinhos me odiavam) tocando um som aí, comecei a entornar minhas latas na minha própria solidão, enquanto sacudia o esqueleto (expressão idosa). E então... O som bem forte das batidas da porta ressoou (sim, provavelmente pela enésima vez, sem ser ouvido). Droga! Droga! Eu tinha me esquecido!

- Droga! - Soltei quase balbuciado, enquanto desligava o rádio e tentava me recompor. Minha vermelhidão e meu suor me denunciavam. Abri a porta e era ela. Saia xadrez vermelha, meia-calça rasgada, botas brilhantes e negras, uma blusinha que caía sob seus ombros, sutiãs pretos e... Ela me olhava com uma expressão meio confusa. - D-d-desculpe, eu não havia escutado... O som da porta. De você batendo.

- Eu percebi. - Ela disse, e sorriu de novo, como se nada fosse um problema. - Eu trouxe minhas coisas pro quarto. Posso entrar?

- C-c-claro! Sinta-se... Em casa. - Eu disse, saindo da frente. E então, entrou dois rapazes de nossa idade e mais uma garota. A garota trazia uma grande bolsa de roupas. Os rapazes algumas caixas com objetos pessoais e logo depois, uma cama e um armário desmontado. Eles foram montar o armário.

A garota sentou do lado dela no sofá, sorrindo pra mim. Tinha cabelos vermelhos-fogo e usava uma camisa de banda, all star vermelhos que combinavam com a cor do cabelo. A menina passou o braço pelos ombros de Aline, e eu preferi nem comentar o que eu senti/pensei quando isso ocorreu.

- Quando agito a grana com você? - Aline disse, e eu continuava encarando o braço da garota, insinuante.

- Ah... Agora não. Só... No mês que vem, ok? - Eu disse, bebericando uma cerveja. - Ah! Vocês querem?

- Pode ser. - Aline disse e a menina disse que não, e então, me mostrou uma tatuagem nas costas de suas mãos. Era um "X" negro. Não entendi nada.

- "Straight Edge". Carina é Straight Edge. - Ela disse, sorrindo, e eu assenti, pegando uma lata pra ela.

Que p... é isso!?

- - -

Como eu temia. Deitada no quarto, lendo um livro, eu comecei a ouvir... Alguns... Gemidos. Eram baixos, mas como nada tocava no rádio, dava pra ouvir. E eu sabia quem era. Levantei de meia, fui dando passos leves até o carpete da sala. Olhei sorrateiramente... Pelo buraco da fechadura. Eu era mesmo uma vaca. Se eu disser que fiquei "doidinha" quando vi a ruiva "sambando" na cama com a Aline. E se eu disser que ela tava "nuazinha", e que as duas tavam nos maiores beijos desentupidores de pia. Minha nossa Senhora das couves! Eu não conseguia parar de olhar... Tava ficando doida! Saí dali, ligando pra Rê pra sairmos... Tava foda.

- - -

- Sua colega de quarto é sapatão? - Ela disse, com a mão no queixo, bebendo de canudinho uma limonada.

-  Tava trepando com uma menina que ajudou a levar a mala dela. Deve ser... Namorada dela. - Pontada.

- Trepando, trepando mesmo? Como você sabe disso, Ka!? - Ela disse, me olhando de soslaio.

- Sim, trepando, trepando. Eu ouvi gemidos no meu quarto e bom... Fui dar uma olhada.

- Você ESPIONOU, sua SAFADA!!! - Ela me deu umas tapas de leve.

- Eu tinha que saber o que havia. Mas agora... Eu não sei o que faço.

- Te incomoda, né? A garota mal tá morando com você e já traz gente no quarto pra f... É uma droga mesmo isso. Você deve conversar com ela, sei lá... Talvez... Você tivesse razão. - Mexeu no canudo.

- Sobre ela ser esquisita!? Então... E ela me falou umas coisas estranhas quando veio ver a casa, na primeira vez. - Eu disse, nem bebi nada, tava nervosa.

- Ela te cantou? - Minha amiga disse, e eu corei. - Que merda! Por que não me disse isso antes, droga?

- Eu... Sei lá, fiquei com vergonha. É estranho demais... - Eu disse, cobrindo o rosto com as mãos. Minha amiga deu uma risadinha irônica que eu odiei. - Que foi?

- Você... Não, cara! - Ela disse, rindo ainda, vermelha. - Você tá curiosa, cara!

- E-eu... E-eu... - E ela começou a rir da minha cara.

- A curiosidade matou o gato, sabia? E se você gostar? Como que fica? Vai virar lésbica!? - Ela disse, ainda me zombando.

- Para de falar merda... - Eu disse, agora p... com ela.

- Você não sabe mentir, Ka. Você ficou vendo a coisa toda acontecendo, não ficou? Ou foi embora rapidinho, sentindo "nojinho"!? Você não é do tipo. - E ela tava certíssima.

- É. Eu vi. - Eu disse, tapando o rosto. E ela continuou rindo da minha cara.

- Vai lá, se a mina não tiver nada sério, ela pode te dar um "troco".

- Eu não quero. - Eu disse, irritada.

- Oi, Kátia! - Eu ouvi a voz. Por que é sempre assim!? Fale de uma pessoa em um lugar público, que ela sempre aparece ou liga, e etc...

- Ahn...! - Não consegui ser "familiar".

- Eu disse "Oi, Kátia"! - Aline disse, estava sozinha, sem a ruiva. Renata caiu no riso, era uma incontida... Idiota.

- Oi. - Eu disse, procurando meu casco pra me esconder.

- Quem é sua amiga? - Perguntou, com um sorriso brilhante no rosto.

- Renata. - Ela disse, estendendo a mão.

- Prazer, Aline. A nova colega de quarto da Kátia.

- Ah sim... A Ka tava falando de você, agora pouco... - Que filha da mãe!

- Tava é? Tava falando o que!? - Ela disse, me encarando, com o sorriso ainda. E eu fiquei totalmente nervosa...

- Bom, eu preciso ir... E a Renata precisa ir comigo, porque vamos fazer um trabalho importante que temos que apresentar. Certo, Rê!? Então, té mais, Aline! Te vejo em casa! - Eu disse, desesperada, agarrando a mão da outra, e saindo dali.

Quando saímos da boate, Renata me olhou e caiu nas gargalhadas.

- Idiota... Você quase me f... bonito! - Eu disse, irritada.

- Claro que não. Se você quer ficar com ela tem que dizer, poxa! - Dei um tapa de leve em seu braço. - Você já sabe que ela é "sapatona", então vai na fé, Kátia! Quer experimentar!? Vira pra ela e fala!

- M-mas... - Eu não sabia o que dizer, e então... Ouvimos a voz de novo, pro meu desespero.

- Experimentar? - Eu gelei. Será que ela tinha ouvido tudo!?

- Sim. - Renata disse, rindo. Filha da mãe.

- O que quer experimentar, Kátia? - Aline disse, e então, meu estômago doía de tanto nervoso.

- Nada. - Eu disse, e então, saí andando, Aline pegou no meu braço.

- Eu ouvi tudo o que vocês falaram. - Ela disse, segurando meu braço, pra que eu não fugisse.

- O-ouviu...? - Eu disse, encarando ela... Era... Era absurdo.

- Sim. - Então, ela me puxou pra perto e cobriu minha boca com um beijo. Eu a agarrei e Renata começou a fazer "Eeeeeeeeeee!!!", que amiga-da-onça.

- - -

Eu caí da cama. Era o sexto sonho erótico que tinha com Aline, em apenas duas semanas. Era um final de semana, e ela traria os amigos, e a ruiva pra casa. Depois do beijo que a gente deu na boate... Eu menti pra ela, dizendo que tava bêbada, e que nem lembrava o que tinha acontecido, e que achava isso tudo um absurdo. Ela ficou meio irritada, e ficou sem falar comigo. Sim, minha "colega de quarto" mal chegou, e já brigamos. Por minha causa. E agora, ela tava comendo a ruiva de novo. Idiotice pura.

Entrando na sala, ela tava lá, fazendo um sanduíche, e eu me encolhi. Era muito ruim encarar a pessoa, logo depois de sonhar coisas assim com ela, sabe? Uma saia-justa. Ela nem olhou pra minha cara. Vi que tinha deixado o dinheiro do mês em cima da mesinha da sala.

- Ei, Aline! - Eu gritei, e ela me olhou de relance. - Sabe que eu posso tentar encontrar uma colega de quarto que fale comigo, né!?

- Sei. Faz o que quiser. - Ela disse, e foi pro quarto.

Droga! Se era só um experimento, por que ela ficou tão brava!? Aposto que se ela me comesse seria mais feliz. Peguei uma cerva e golei rápido. O telefone tocou e era a vaca da ruiva, eu menti, sem que Aline me ouvisse, e disse que ela não tava. Eu não estava afim de encarar "essa realidade", então, eu fugiria. Manteria meu amor platônico.

- - -

- P..., Ka! Por que tá fazendo isso!? Por que não pede desculpas pra garota!? Você... Sei lá, mandou umas coisas muito estranhas. A impressão que você dá é que você tá doidinha pra dar pra ela, mas não quer aceitar isso... - Idiota.

- Eu não quero "dar" nada pra ela. Eu não preciso disso. - Eu disse, já bêbada.

- Está bêbada.

- Estou sim, e com orgulho! - Eu disse, quase caindo.

- Dá logo pra ela. - Ela disse, e eu coloquei a mão no rosto, cobrindo-o todo.

- Tá. Eu vou... Dar pra ela.

- Isso. Dá, e seja feliz. - Me levou pra casa de carro.

- - -

- Aline... - Me joguei em seus braços, como uma louca. Ela me segurou, sentindo o cheiro da vodca percorrendo meu corpo. Ela me deu um leve empurrão que me fez dar uns dois passos pra trás.

- Tá doida!? Quer sair bêbada comigo de novo, pra depois me dar outro fora!? - Ela disse, irritada. Estava certa. Era isso que eu faria.

- Mas, Aline... - Fui ignorada. Deitei na cama, me joguei completamente. Tirei o sutiã que me apertava. Abri a calça jeans... Tirei ela também. E então, a sombra apareceu na minha porta, do quarto. Era Aline.

Ela se aproximou, e me viu lá na cama... Só de camisa e calcinha. Ela subiu em cima de mim. Me deu um beijo gostoso no pescoço e passou as mãos pela minha barriga, subindo minha blusa, me deixando de seios nus. Ela beijou, lambeu e chupou cada um deles, vagarosamente. Seguiu com a língua percorrendo toda minha barriga, até... E então, chegando minha calcinha pro lado, ela começou a lamber vertiginosamente lá. Me fez gozar mil vezes assim, e quando penetrou com dois dedos. Eu gemi ainda mais que a ruiva no quarto ao lado. Era realmente fantástico.

Tive um sonho bom em que ela dormia do meu lado, me abraçando. Mas quando acordei, me vi sozinha no quarto. Na casa. Não entendi. Tinha uma carta sobre a mesa.

"Kátia,
Eu ainda não peguei todas minhas coisas. Mas tou indo embora. Aqui deixo o dinheiro da última conta. Valeu.
Aline."

Eu não podia acreditar. Tentei ligar pra ela, pro celular, e nada... Era um inferno! Eu fiquei desesperada, comecei a chorar... Liguei pra Renata que me deu um esporro. Eu não sei porque...

- Você não consegue entender, droga!? Você ama essa garota, saco! De verdade, você gosta dela pra c..., e pelo visto, ela também gosta de você! - Renata disse, quase gritando comigo. - Vai procurar ela agora! Ela deve tá na faculdade!

- M-mas... O que eu vou dizer pra ela, Rê!? - Eu disse, desesperada, com as lágrimas molhando minhas bochechas.

- Não tou nem aí. Só faz isso. Tchau. - Desligou. Não entendi porque ela ficou assim... Tão perturbada.

- - - 

Meio-dia. Faculdade de Artes. Tava cheio de gente esquisita por lá. Uma garota com um cabelo até a bunda, preto, ondulado. Maquiagem forte, vestido preto que ia até os pés, apesar do calor. Uns "moicanos" coloridos com tachinhas pelo corpo, espetos. Uma menina com uma boina de reggae, com cabelos tipo "dread". Uns doidos de cabeça raspada e tatuagens. Encontrei... Aline. Ao lado da p... ruiva.

- O que tá fazendo aqui!? - Ela perguntou pra mim, perturbada, sem sorriso.

- Vim falar com você, Aline. Eu preciso. - Eu disse, segurando a coragem.

- Sai fora! Ela não quer mais falar contigo, não sacou!? - A ruiva disse, e isso me deixou furiosa. Fui em cima de dei um tapão na cara dela! Ela veio pra cima de mim, e Aline nos separou... Ela me olhou com uma cara hostil.

- Não bate nela. Ela é minha amiga. - Ela disse, p... comigo. Eu olhei pra ela desencontrada.

- Mas... É que... Droga, Aline! Eu gosto de você! - Eu disse, logo. Aline ficou uns segundos parada, me olhando boquiaberta. A garota ruiva também.

- Mas eu não posso ter nada contigo. Eu tou... Namorando. - Aline disse. Ela não disse que não gostava de mim, ela disse que tava namorando.

- Eu só quero saber o que você sente. - Eu disse, esperançosa.

Nesse instante, ela encarou a ruiva, como se questionasse o que deveria me dizer. E então, suspirou.

- Você não sabe o que quer, Kátia. - Ela disse, olhando pro chão. - Quando você se decidir, você vem falar comigo.

- M-m-mas eu... Eu tô decidida, Aline! - Eu disse, tentando me defender, mas ela negou com a cabeça.

- Não tá não. Tá cedo ainda. Você precisa... De um tempo sozinha, pra pensar. - E então, ela levantou, agarrando-se na mão da ruiva e saiu andando, me deixando lá na m...

- - -

Era noite. Renata e eu estávamos fazendo um trabalho. Num silêncio sepulcral. Colávamos pecinhas em uma grande maquete. Ela às vezes me encarava de soslaio, enquanto eu dava uns bons goles naquela garrafinha de vidro long-neck de cerveja belga.

- O que houve? - Ela disse, mas eu tava brava, e não queria falar sobre.

- O que...? - Desconversei.

- Eu perguntei "o que houve"! - Ela repetiu, como se fosse uma ordem de mãe (nem minha mãe me tratava assim).

- Nada.

- Ah, pára com isso, Ka! Você falou com a Aline e nem me contou o que rolou! - Ela disse, jogando uma pecinha no chão. Que eu peguei.

- Ei, olha o nosso trabalho!!! - Colei a pecinha. - Eu falei com ela sim... Na faculdade dela.

- E então? - Questionadora.

- E então nada. Ela não quer nem olhar pra minha cara. Disse que tava "muito cedo pr'eu aceitar ela", algo assim... - Eu disse, tossindo.

- Tá muito cedo pra você aceitar você, ela quis dizer! - Ela disse, e isso me surpreendeu. A encarei com os olhos arregalados.

- C-como assim, Rê!?

- Como assim!? Você esqueceu, é!? O que aconteceu com a gente há anos atrás!? - Ah... Agora eu entendi.

- O que...!? - Eu disse, voltando a olhar para o trabalho.

- Você lembra quando nos conhecemos, Kátia!? - Renata disse, ficando de pé. Estava irritadíssima. - Nós nos conhecemos naquela boate... Tínhamos bebido todas, e descobrimos que éramos da mesma sala.

- Ah sim... E-eu lembro disso.

- E lembra do resto da noite também!? - Ela disse, ainda injuriada.

- Temos que terminar o trabalho, Renata. Temos que entregá-lo ainda esta semana. - E então, ela me puxou pelo braço, e me fez ficar de pé, na frente dela, encarando-a. - Er...

- Nesse dia... Você elogiou minhas roupas. Eu estava toda "roqueirinha maluca", igual essa Aline aí. - Renata disse, invocada. - E então, você e eu fomos ao banheiro...

- Eu sei, você... Não precisa me dizer o que eu já sei.

- MAS VOCÊ FINGE NÃO SABER, DROGA! - Ela disse, e então, me puxou pela cintura, e me cobriu com um beijo. Eu larguei todas as pecinhas que estavam em minhas mãos, no chão.

Ficamos lá um tempo, nos beijando. Quando ela me largou, eu fiquei olhando o chão, envergonhada.

- Eu pedi você em namoro depois disso. E você... Me deu um fora, dizendo que seríamos só amigas. E então, eu entendi, exatamente o que a Aline tava sentindo, quando você deu um fora nela, sem explicações... Você gosta de mulher, amiga, você só não aceita isso, de forma alguma. E por isso, usa as mulheres que se atrai e dá o fora nelas. - Ela disse, estava com os olhos marejados d'água.

- Você... Eu pensei que você já não sentia nada por mim. - Eu disse, tocando meus lábios com as pontas dos meus dedos.

- Eu também... Eu também achei que não sentisse. Até tentei juntar você com a tal da Aline. Mas quando eu a vi naquela boate, foi a primeira pontada. Eu sabia que você olhou pra ela, e lembrou de mim. E depois, quando você a jogou fora, como fez comigo, tudo veio de novo na minha cabeça, e eu saquei que eu nunca tinha esquecido de você, Ka. Que esse tempo todo, eu fiquei me enganando, e tentando ser só sua amiga, mas tava f... Muito f...! E eu acho que se... Se você não se aceitar de uma vez, você quem no final vai sair ferrada, entende? As pessoas vão se cansar de serem usadas e largadas por você! E você não vai ter nem mais amigas, assim como a Aline fez, pra poder te dar conselhos e ajudar você! - Ela disse, agora sim estava chorando.

Eu não sabia o que dizer. Fiquei envergonhada. Ela saiu com pressa, me deixando com a Cerveja Belga e a maquete incompleta. Merda.

- - -

Na faculdade, Renata não falava comigo. Aline não falava comigo. Eu estava plenamente sozinha, e dura. Eu pensava que minha vida ia se resolver se eu mentisse pra mim mesma, e achasse que tudo tava bem e tal. Mas não foi bem assim. Não tava tudo bem, e eu não fazia idéia de como resolver isso. Pensei então, em tentar uma abordagem "remasterizada", fui fazer outro anúncio no jornal.

E então, apareceu a Carla, a Maria, a Verônica, a Lúcia, a Helena, a... É. Minha vida estava de pernas pro ar. Eu não sabia mais o que fazer. Todas as garotas que pareciam um pouco descoladas me davam... anseios. Fui pra boate sozinha pra distrair, e lá, encontrei uma coisa que me deixou... Completamente tonta. Aline e Renata, as duas, tavam juntas... Se beijando. 

Malditas.

- Que cena linda essa! - Eu disse, cheia das ironias, sem um copo de consolo em minhas mãos.

- Sim, eu sei. - Renata disse, a maior cara-de-pau.

- Vocês estão se ajudando mutuamente a se curarem das dores de cotovelo!? - Continuei.

- Causadas por você? Não. - Aline disse, bicando um drink cor-de-rosa choque.

- Eu... Acabei sentando pra conversar um pouco com a Aline, e conhecê-la melhor, já que você falava TÃO BEM dela. Então, acabamos por... Descobrir que tínhamos coisas em comum, e... - Renata disse, e eu tapei meus ouvidos.

- NÃO QUERO OUVIR MAIS ISSO! ISSO É RIDÍCULO! - Eu berrei como uma louca. E nem estava bêbada, hein...? Ainda.

- É a realidade, Kátia. Por que não a encara!? Você é tão imatura, tão fingida... - Aline disse, dava pra ver o quanto ela ainda parecia gostar de mim, de uma certa forma.

- Aline. Deixe disso. Vamos? - Renata disse, olhando para Aline com uma cara insinuante. Odiei.

- Vamos sim, você está certa. - A idiota da Aline respondeu. - Vamos.

- - -

Segunda-feira. Minha aula só começava às onze. Minha campainha toca as seis, me deixando p... de novo. Levantei resmunguenta. Eu usava apenas uma camisa compridona, que mal cobria direito minhas pernas, e meu cabelo parecia um mafuá. Abri a porta, e dei de cara com uma garota... E ela era TOTALMENTE diferente.

Um moicano sobre a cabeça de coloração azul, olhos VERDES, calças jeans rasgadas, blusa branca que deixava àmostra sua barriga com um PIERCING no umbigo, coturnos... Eu quase... Gozei.

- Oi, e-e-eu sou Kátia... - Eu disse, tremendo.

- Oi, meu nome é Elisa. - Ela disse, sorrindo. - Eu procuro um quarto, pra mim, tanto faz, tá tudo bom qualquer coisa. Eu preciso apenas que fique perto do prédio de artes e...

- O QUARTO É SEU!!!

FIM (O.o")


OBS pra quem lê minhas histórias: Comentem! Comentem pra eu saber o que vcs acharam, se vcs leram, o que gostaram e o que não gostaram! Comentem pra me ajudarem a melhorar SEMPRE! Lingua Valeu! o/
Responder
 #2
só nao gostei da historia, mas o resto achei que ficou bom
Responder
 #3
Eu achei a história legal, porém ela é bem extensa e demorou um pouco até acabar.

Vou dar uma olhada nas outras se der tempo.
Responder
 #4
Gostei, o fim foi divertido. Icon_e_biggrin
Responder
 #5
Acho que podia dar uma melhorada na aceleração com que as coisas se desenvolvem. Nesse conto, você narrou demais e descreveu de menos, rs.
Responder

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